O Resumo do Depoimento de Bruna Morato na CPI da Pandemia

Não é um depoimento comum. A advogada Bruna Morato, representante de doze médicos vinculados à operadora de saúde Prevent Senior, descortinou um esquema pavoroso.

Seguem algumas revelações do depoimento de 28 de setembro, que já entra para a História do Brasil instantaneamente:

  • O médico Anthony Wong foi internado com COVID em uma unidade da Prevent Senior que não era destinada a pacientes de COVID. A Unidade Itaim era destinada a pacientes cardiológicos e vasculares, e a esposa do Dr. Anthony transitava livremente pela unidade mesmo após recusa insistente de fazer PCR. Ela não queria se isolar, e a cúpula do convênio falou “ok, tudo bem”.
  • A Prevent Senior promoveu política de cuidados paliativos pra pacientes com chance de sobreviver. Na prática, a empresa promoveu a morte de pessoas que poderiam estar vivas se não fosse a política da empresa de aplicar os “cuidados paliativos” em muitos pacientes, para não lidar com tratamentos longos e custosos.
  • Existe inclusive um prédio na Vila Olímpia em que pacientes em “cuidados paliativos” chegaram a ser internados. O prédio não tinha autorização para funcionar como hospital.
  • A Prevent Senior tinha um motivo econômico para adotar “kit Covid” em larga escala: era muito mais barato distribuir remédio a esmo dando a ilusão de “cuidado com o paciente” do que realizar internações e procedimentos hospitalares. Era um tipo de prescrição sem nenhuma eficácia, mas muita gente achava que funcionava, afinal, grande parte dos pacientes de COVID são assintomáticos, e os remédios exercem um efeito placebo.
  • Existia uma orientação da Prevent Senior no sentido de “prevenir internações” nos próprios grupos da companhia. Também havia orientações do tipo nos plantões: os plantonistas, em alguns casos, eram orientados a evitar internações a todo custo.
  • Há uma denúncia de que após quatorze dias de internação na UTI o hospital tinha o procedimento de reduzir a oxigenação do paciente aos poucos, com o objetivo específico de “liberar leitos”. Havia uma premissa de que “óbito também é alta”. Sim, a denúncia é de homicídio deliberado.
  • A política de sabotagem do isolamento social planejada e levada adiante pelo que se convencionou chamar de “gabinete paralelo” sob orientação do Ministério da Economia, que espalhou para todo o governo a máxima adotada pelo próprio Presidente Jair Bolsonaro de que “a economia não pode parar”. O maior pavor do governo era que o lockdown provocasse recessão econômica. Nesse sentido, todos os esforços desde março de 2020 foram no sentido de destruir as políticas estaduais e municipais de promoção do isolamento social como forma de não propagação da doença.
  • Nas duas primeiras semanas de pandemia os profissionais de saúde da Prevent Senior atendiam pacientes sem equipamentos de proteção individual. Isso ajudou a provocar um surto enorme de COVID nos hospitais da empresa, que chegaram a ter 79 dos 201 óbitos por COVID no Brasil no final de março de 2020.
  • A Prevent Senior tinha uma política de coerção que feria a autonomia médica. Os kits vinham fechados, com todas as medicações do kit, e o médico não tinha autonomia nem mesmo para tirar alguma das medicações.
  • A referência do diretor de pesquisas clínicas da Prevent Senior, Rodrigo Esper, era Didier Raoult, que teve que desmentir seus trabalhos publicados sobre a eficácia da hidroxicloroquina.
  • Houve de fato um direcionamento da Prevent Senior como a operadora que validaria com pesquisas a posição do governo federal de sabotar o isolamento social, com influência especialmente dos médicos Nise Yamaguchi, Anthony Wong e do biólogo Paolo Zanotto, que tratavam diretamente com a assessoria da Presidência da República acerca da política de sabotagem do isolamento social.
  • A Prevent Senior servia de “legitimador técnico” da política do governo federal de distribuição de cloroquina e de outros medicamentos. Com os resultados falsificados dos estudos da Prevent Senior o governo justificou essa política e também a política da “imunidade de rebanho”, também promovida pelo mesmo gabinete paralelo que promovia cloroquina, ivermectina e afins.
  • A Prevent Senior fez uma espécie de “pacto” ou “aliança” com o gabinete paralelo e maquiou estudos sobre cloroquina para adequá-los a declarações de Bolsonaro.
  • Sobre isso, uma declaração específica de Bolsonaro sobre a Prevent Senior em 18 de abril de 2020 fez toda a equipe de pesquisa da Prevent Senior, coordenada por Rodrigo Esper, revisar os dados das pesquisas realizadas sobre o tema em 24 horas.
  • A direção da Prevent Senior tinha influência inclusive no CFM e na CREMESP como promotora do tratamento precoce, por isso os médicos representados pela advogada Bruna Morato tinham receio de fazer representações diretas ao CFM e CREMESP.
  • A advogada Bruna Morato teve seu escritório invadido após ser reconhecida como advogada de doze médicos ligados à Prevent Senior, e desde então esses médicos tem sido ameaçados. O inquérito no âmbito da Polícia Civil de São Paulo já está sendo remetido à CPI.
  • Também foi confirmada, mais uma vez, a mudança de diagnóstico após duas semanas de internação ou três semanas na UTI. As pessoas entravam no hospital com COVID e acabavam morrendo de outras patologias, de acordo com os hospitais da rede Prevent Senior.
  • Eram comuns experimentos com seres humanos sem autorização do CONEP, que é a instância máxima de avaliação ética em protocolos de pesquisa envolvendo seres humanos. Com isso, procedimentos como aplicação de ozonioterapia, heparina inalável ou medicamentos como flutamida – originalmente prescrito para câncer de próstata – eram aplicados sem nenhuma restrição.
  • Havia uma espécie de compromisso do governo federal com a Prevent Senior de não fiscalização. Isso é: a empresa tinha uma espécie de “passe livre” para fazer qualquer experimento com pacientes sem arcar com as consequências disso.

Essas revelações, fartamente documentadas, trazem um aspecto macabro à gestão governamental da pandemia. Havia um esquema de manipulação de dados em várias esferas com o objetivo claro de satisfazer a uma política de sabotagem do isolamento social proposta pela própria Presidência da República. Essa política foi levada a público no fatídico pronunciamento de 24 de março de 2020, e agora já se sabe que sua gênese estava no Ministério da Economia. Foi operacionalizada pelos militares, que compraram e produziram cloroquina no laboratório do Exército rapidamente, viabilizando o Kit Covid como política de sabotagem do isolamento social. Tudo no que parece um projeto arquitetado para matar brasileiros, ou pelo menos para que as mortes de brasileiros por COVID fossem ignoradas, jogadas para debaixo do tapete.

7 comentários sobre “O Resumo do Depoimento de Bruna Morato na CPI da Pandemia

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