Os 18 Pontos Que Resumem a Gestão da Pandemia

Estou fazendo alguns vídeos no canal do YouTube para falar como o governo transformou um desafio importante, o de fazer uma boa gestão da pandemia, em uma iniciativa para matar deliberadamente brasileiros para que meia dúzia de pessoas continuem tendo lucros em escala bilionária. Peço para que vocês também assistam aos vídeos, mas vou colocar aqui os dezoito pontos essenciais da gestão da pandemia pelo governo federal:

1) Quando a pandemia chegou ao Brasil havia um consenso em relação a isolamento social. A Lei 13.979 mostra isso. Esse consenso foi rompido em rede nacional em 24/03 e graças à CPI sabemos que a orientação para Bolsonaro sabotar o isolamento social veio do Ministério da Economia.

2) Quem operacionalizou essa sabotagem do isolamento social foi o Exército, e por isso foi tão importante o Exército tomar o Ministério da Saúde. Tendo poder sobre o Ministério da Saúde o Exército também tinha nas mãos o poder de distribuir medicamentos pelo país.

3) Os métodos de sabotagem do isolamento social foram:

a) defesa do “isolamento vertical”, só para idosos;
b) defesa da imunidade de rebanho por contaminação
c) defesa de medicamentos ineficazes;
d) Diminuir a gravidade da pandemia, tratando-a como “uma gripezinha”
e) Tentativa de manipular dados da pandemia e ênfase nos supostos “recuperados”, diminuindo as mortes ocorridas.

4) Sabotar o isolamento social era extremamente importante porque os maiores apoiadores do governo Bolsonaro sempre foram empresários de varejo, que precisam de seus comércios ou franquias atendendo o público para lucrar. Luciano Hang e Carlos Wizard Martins são exemplos desse modelo de apoiador do Bolsonaro.

5) Para isso, era preciso subjugar a equipe do Ministério da Saúde que tocou a gestão da pandemia até março de 2020, sendo responsável inclusive pelo texto da Lei 13.979. Lei que tem a assinatura de Jair Bolsonaro.

Então Bolsonaro decretou a criação de um centro de combate à COVID sob comando do Braga Netto.

6) O centro de combate à COVID foi o embrião do gabinete paralelo. Foram nos encontros desse centro que profissionais como Nise Yamaguchi, Paolo Zanotto e Anthony Wong propuseram que o governo federal adotasse distribuição de cloroquina como política pública. Tudo com o aval do Ministério da Economia.

7) O fato do governo Bolsonaro ter adotado a cloroquina como política pública foi a causa da demissão de Luiz Henrique Mandetta e de Nelson Teich do Ministério. Como nenhum médico ousou se responsabilizar por tamanha irresponsabilidade o Ministério ficou sob comando de Eduardo Pazuello, general do Exército que tinha como grande feito em sua carreira a Operação Acolhida, feita à partir de 2018 para dar ajuda humanitária a imigrantes venezuelano em Roraima. Foi nesse contexto que Pazuello conheceu Carlos Wizard, que chegou a trabalhar de maneira informal no Ministério da Saúde e saiu depois de tentar manipular o número de mortes por COVID-19 em junho de 2020.

8) Nesse período também a Prevent Senior ingressou no esquema, como a empresa que legitimava a distribuição de medicamentos com estudos falseados. Tinha dois motivos pra isso: a contaminação em massa em março de 2020 no Sancta Maggiore e “dar remédio é mais barato que internação”. Todo o esquema foi muito bem detalhado no aterrador depoimento da advogada Bruna Morato em 28 de setembro.

9) Mas o grande motivo pelo qual Bolsonaro passou a fazer lobby pra cloroquina também é administrativo: Bolsonaro mandou o Exército produzir comprimidos, o Exército comprou insumos pelo triplo do preço, e se eles não fossem distribuídos Bolsonaro responderia por improbidade. Nesse momento, distribuir cloroquina não era só uma forma de sabotar o isolamento social: era uma forma de salvar a pele do presidente.

10) Em seu depoimento à CPI, Eduardo Pazuello disse que saiu do Ministério da Saúde por “missão cumprida”. De fato, ele tinha uma missão no Ministério da Saúde: distribuir todos os mais de 3 milhões de comprimidos de cloroquina fabricados pelos Exército. Cumpriu em março de 2021. Na saída de Pazuello do Ministério, 90% dos comprimidos de cloroquina fabricados pelo Exército já tinham sido distribuídos aos estados e municípios, afastando a possibilidade de Bolsonaro responder processo de improbidade por “desperdício de recursos fabricando cloroquina não utilizada”

11) Essa missão do Pazuello condicionou todas as suas ações no Ministério. Ele deu carta branca pra Mayra Pinheiro distribuir cloroquina, e atuou junto com a Prevent Senior e com os empresários do gabinete paralelo para isso. O Brasil de 2020 virou a grande festa da cloroquina.

12) No entanto, essa “missão” de Pazuello ocasionou algo mais grave: as propostas de vacinas da Pfizer, da AstraZeneca e da CoronaVac foram empurradas com a barriga porque o governo considerava que elas podiam atrapalhar a distribuição de cloroquina naquele momento. Esse é um dos segredos mais bem guardados da pandemia: o governo só se mobilizaria para comprar vacinas quando o estoque de cloroquina existente não causasse mais risco de improbidade ao Presidente Bolsonaro.

13) Nesse momento entra em cena outro grupo que já estava ajudando Bolsonaro na gestão da pandemia: o de Ricardo Barros. O grupo dele assumiria ações dentro do Ministério após o término da distribuição de cloroquina com o objetivo de priorizar vacinas. Mas seriam as vacinas priorizadas por eles, que favoreceriam os esquemas DELES.

14) Nesse momento surge o modelo de negociação de vacinas por intermediários sem representação no Brasil: Covaxin pela Precisa, AstraZeneca pela Davati, CanSino pela Belcher. Em relação a cloroquina, a postura desse grupo seria a de fingir que a coisa não foi com eles.

15) Óbvio que várias coisas deram errado aí: a CoronaVac pelo Butantan foi essencial para adiantar o processo, e a própria negociação do Consórcio Nordeste com a Sputnik atrapalhou os planos da União Química (também intermediadora do Barros) de distribuir a vacina russa no Brasil.

16) Todos esse roteiro era operacionalizado por uma refinada rede de difusão de mentiras, que foi uma verdadeira fábrica de absurdos. Do “a culpa é dos governadores” até o “a vacina causa AIDS”, a origem dos boatos negacionistas é a mesma: os grupos de fake news criados e fomentados por Bolsonaro, seus filhos e seus assessores próximos, formando um verdadeiro ecossistema da mentira.

17) Aqui, é importante ressaltar o papel de três filhos do Bolsonaro: Carlos toca a estrutura de redes e trabalha na difusão das informações inventadas, Eduardo promove a internacionalização da rede, criando vínculos com a extrema direita internacional, e Flávio busca financiamento junto aos empresários simpatizantes, como ocorreu em 2018, além de ser o contato mais direto com as milícias. Não é à toa que Allan dos Santos, apesar de ser mais próximo de Carlos, vai pedir ajuda ao Eduardo quando precisa sair do país fugindo de processos. Eduardo também toca contatos com a família Trump e outros expoentes da extrema direita mundo afora.

18) Em resumo:

“O Ministério da Economia e os empresários decidiram com Bolsonaro que o brasileiro ia morrer. O Exército operacionalizou isso com a cloroquina. Os amigos do Ricardo Barros tentaram ganhar dinheiro com vacina. E os filhos do Bolsonaro manipulavam o povo com mentiras para Bolsonaro “ganhar a guerra de narrativas”.

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