O Projeto de Eliminação de Brasileiros

Vou descrever aqui de maneira muito simples e sucinta o projeto de eliminação de brasileiros levado a cabo pelo governo federal durante a pandemia.

Em março de 2020, o governo Bolsonaro, assessorado por empresários de varejo, médicos de convênio desesperados, militares e idiotas negacionistas decidiu, contra todas as evidências, que ia matar o máximo possível de brasileiros na pandemia.

O primeiro passo nessa direção foi dado com o fatídico discurso de 24 de março de 2020. Foi ali que Bolsonaro disse que o coronavírus era só uma gripezinha e que o isolamento social deveria ser revertido. Mas esse discurso já foi fruto de articulações prévias, como a que colocou o General Braga Netto no comando do que se pretendia uma estrutura de combate ao vírus, mas se mostrou na prática uma estrutura de combate à qualquer iniciativa de combate ao vírus.

Desde o início da pandemia o objetivo sempre foi um só: convencer todo mundo a viver sua vida normalmente, como se a pandemia não existisse. Daria muito certo se não fosse o fato de que a pandemia existe e mata pessoas. A postura em relação às pessoas sempre foi de indiferença extrema, como se as mortes fossem meros efeitos colaterais de uma escolha por “salvar a economia” que nunca foi sequer questionada.

Mas por que era necessário “salvar a economia”? Porque a Havan e outras lojas do tipo, administradas por apoiadores do Bolsonaro, precisavam continuar abertas. Os setores da economia dependentes das pessoas circulando precisavam funcionar. Paulo Guedes prometeu que em 2020 a economia ia decolar e não seria essa pandemiazinha que iria atrapalhar. Aí se decidiu que o isolamento seria sabotado de todas as maneiras possíveis. O resto foi tudo decorrência disso.

Cloroquina? Ninguém nunca acreditou que aquilo funcionasse de verdade. Mas foi a desculpa perfeita para que as pessoas voltassem a circular, a trabalhar e a viver como se uma pandemia não estivesse em andamento. Braga Netto operacionalizou isso, fazendo o Exército comprar insumos e produzir o medicamento. Empresas como a Prevent Senior se comprometeram a “comprovar a eficácia”. A Prevent Senior precisava se safar de um problema de dimensões épicas: a contaminação no Sancta Maggiore foi vergonhosa, e em março de 2020 quase 40% dos pacientes de COVID do Brasil morreram no hospital do convênio.

Nessa época, o Ministro Luiz Henrique Mandetta cogitou inclusive uma intervenção no hospital. Ela não veio. Mas o hospital passou a ser o centro das pesquisas manipuladas com o objetivo de comprovar a eficácia do “tratamento precoce”. Hoje, sabemos que esses estudos ocultaram mortes. E que essas mortes ocultadas foram um método, como provam os casos do médico negacionista Anthony Wong e da mãe do dono da Havan Luciano Hang.

Anthony Wong, inclusive, revela uma outra faceta do esquema. Em 28 de outubro de 2020, ele esteve na Câmara dos Deputados em um debate sobre a imunidade de rebanho por contaminação. Ou seja, a estratégia criminosa de deixar todo mundo se contaminar para atingir uma suposta imunidade contra a doença. Mortes, novamente, eram um mero contratempo perfeitamente admissível para que a economia voltasse a andar. O convite partiu do líder do governo Ricardo Barros. Os demais debatedores tornaram-se conhecidos do grande público nesse ano de 2021, com a CPai da pandemia: a médica Nise Yamaguchi, o médico Paulo Zanotto e a secretária de gestão do trabalho e da educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro.

Esse esquema possibilitou ao governo Bolsonaro fazer propaganda indiscriminada do “tratamento precoce”, bem como promover propaganda da imunidade de rebanho. A quadrilha funcionava assim: o Exército produzia a cloroquina, junto com empresas bolsonaristas estilo a Apsen; a Prevent Senior fazia os estudos falsos que “davam credibilidade” ao tratamento precoce, além de propaganda intensa junto aos médicos por meio de reuniões de médicos e lives; o Ministério da Saúde, sob Pazuello, coordenava a distribuição do medicamento e os protocolos; os empresários amigos do Bolsonaro financiavam o que fosse necessário; e o gabinete paralelo articulava médicos, empresários, Exército e Ministério da Saúde para o esquema continuar funcionando. Tudo com o objetivo de acabar com o isolamento social e “reativar a economia”.

Com as vacinas foi a mesma coisa. No início, Bolsonaro negou as vacinas por não poder tirar proveito político delas. Quando percebeu que 1) poderia ganhar com as vacinas e 2) as vacinas seriam determinantes para o fim do isolamento, Bolsonaro deu salvo conduto para seus líderes favorecerem algumas empresas em específico. Foi o que concorreu com a Covaxin, por exemplo, que chegou a assinar um contrato de R$ 1,6 bilhão junto ao governo federal, intermediado pela Precisa Medicamentos em circunstâncias suspeitíssimos. Tentativas similares foram feitas com a Davati e com a Convidecia, sempre por meio de intermediários suspeitos. O objetivo, no fim, sempre foi sabotar o isolamento (e se possível ganhar algum com isso)

Tudo funcionando de maneira azeitada para eliminar o máximo possível de brasileiros. A vida dos brasileiros não importa: importa mesmo é manter a Havan aberta. Ainda que o preço para isso seja o de efetuar experiências médicas que remetem ao nazismo ou mesmo matar a própria mãe. Para Bolsonaro e para toda a sua quadrilha, a vida de 600 mil brasileiros vale menos que o balanço anual de meia dúzia de bilionários.

2 comentários sobre “O Projeto de Eliminação de Brasileiros

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