As Três Revoluções que o Brasil Precisa

O Brasil precisa de três revoluções para se tomar de fato um país:

1) gritar sua independência

2) proclamar sua República

3) instituir um governo civil e democrático

Gritar independência é essencial para derrotar essa aristocracia colonial pré Revolução Francesa que considera privilégios como direitos. A elite brasileira é uma das mais retrógradas do mundo, com fortes resquícios coloniais, e alimenta diariamente uma das economias mais desiguais do mundo. Uma economia em que o escravo é tolerável, em que as pessoas são serviçais das outras, em que não temos qualquer identidade nacional. Essa elite alimenta a lógica de uma colônia de exploração até hoje, arrancando os recursos do país para aumentar uma elite local subserviente às diversas metrópoles que existem mundo afora.

Proclamar a República é essencial para destruir o Poder Moderador que julga controlar o país. Se antes essa função era do imperador, desde Deodoro os militares julgam ter essa prerrogativa. Os militares tutelam a democracia brasileira a ponto de escolher governantes e de escolher se o país vai ou não ser uma democracia.

Todas as rupturas democráticas da República vieram pela mão dos militares, e todos os movimentos em direção a governos civis são vistos como concessões deles. Ainda na década de 1890, os militares “cederam” para que Prudente de Morais pudesse assumir. Em 1930, tomaram o poder até a nomeação de Getúlio Vargas. No fim do Estado Novo, cederam com ressalvas: o primeiro presidente após o regime foi um general, Eurico Gaspar Dutra. Em 1964, tomaram o poder das mãos de João Goulart e só “devolveram” para os civis em 1985. Quando se sentiram acossados, tentaram tomar o poder novamente e conseguiram através da eleição presidencial de Jair Bolsonaro.

Dos 38 presidentes que o Brasil já teve, dez tiveram origem militar. Outros, como Getúlio Vargas, só assumiram o poder com apoio decisivo destes. Os militares sempre se julgaram o poder moderador da República e, por isso mesmo, sempre se julgaram inimputáveis. O resultado hoje é que, apesar do notório fracasso histórico dos governos militares (Hermes da Fonseca e Eurico Dutra foram governos ruins, a ditadura militar quebrou o país e Jair Bolsonaro causou um genocídio), eles seguem se considerando donos do poder. Na prática, metade do déficit previdenciário brasileiro é culpa dos militares e as filhas e netas de oficiais seguem recebendo pensões nababescas até hoje. Proclamar a República é acabar com esse poder moderador dos militares que julga ser até hoje uma espécie de imperador das sombras no país.

A terceira revolução é instituir um governo civil e democrático. Um governo civil e democrático consiste em um governo que realmente tenha um olhar perene de combater às desigualdades através da promoção de oportunidades para todos. Parece algo óbvio, mas esse tipo de coisa deve ser uma escolha unificadora da nação, independente de quem estiver governando.

Só que a terceira revolução precisa da primeira e da segunda. Para construir um país que traga oportunidades para todos, é preciso vencer a lógica da elite que trata o Brasil como uma colônia de exploração, e também é preciso vencer a lógica dos militares que se julgam um poder moderador dentro do país. É preciso proclamar a independência e é preciso proclamar a República para conseguirmos lutar pelos direitos civis. É uma construção longa, de gerações, que o Brasil já iniciou várias vezes, mas nunca conseguiu concluir.

É por isso que mensagens intimidadoras de elites colonialistas ou de militares não podem nos intimidar. Existe um país para construir. E construir esse país inclui passar por cima dessas forças que rifam a vida de mais de duzentos milhões de pessoas em nome de interesses pessoais imediatos.

Esse povo vai passar. Mas só se nós fizermos esse povo passar. O Brasil não é uma colônia apodrecida e nem um império fake apodrecido sob o comando de burocratas de farda que sequestram nossos sonhos. Nós vamos transformar esse país de revolução em revolução. Porque nossos filhos não podem passar pelo que estamos passando, e pelo que nossos pais passaram.

Basta!

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