A Lógica do Absurdo

Bolsonaro pediu para seu capacho (ou Ministro, tanto faz) Onyx Lorenzoni editar uma portaria proibindo a “demissão por não vacinação”. Ou seja: Bolsonaro quer impedir, na canetada, que os irresponsáveis negacionistas sejam punidos por seus atos. Um belo contrassenso para quem se elegeu falando “bandido bom é bandido morto”

Só que a avaliação dos juristas é unânime: essa portaria é flagrantemente ilegal. Não precisa de muito para saber disso: qualquer pessoa que já levou os filhos para a escola sabe muito bem que é preciso ter a carteirinha de vacinação preenchida para realizar a matrícula. Obrigatoriedade de vacinação não é novidade para ninguém no Brasil e é uma das grandes conquistas sanitárias do país.

Mesmo assim, Bolsonaro edita a portaria. E edita sabendo que ela vai cair. É doloso. Bolsonaro faz isso porque essas atitudes tem um duplo efeito: ao mesmo tempo em que Bolsonaro acena para seu público mais radical, vende a falácia para esse público de que “é perseguido pelo sistema”. Para seus intuitos golpistas, é um jogo de ganha-ganha.

Isso não é um ato isolado. Bolsonaro é um agente da destruição. Está no governo para destruir as instituições. Na prática, Bolsonaro se comporta como um monstro de duas cabeças: metade autocrata, como um rei divinamente legitimado, e metade anarcocapitalista, como um agente da destruição que quer acabar com toda e qualquer estrutura de bem estar social para forjar uma sociedade distópica em que cada um sobrevive pelo poder da arma em seu coldre.

Não é à toa que Bolsonaro questiona o presidente da OMS sobre a origem do coronavírus. Ou faz campanha defendendo um jogador de vôlei homofóbico. O absurdo retroalimenta o radicalismo de seus seguidores. Ainda que não vá dar em nada. Bolsonaro vende a imagem de que está em uma tentativa messiânica de revolução, mas está preso às amarras de um sistema corrupto e precisa destruir esse sistema pra finalmente forjar a sociedade idílica prometida desde a eleição. Nisso, passa a ter todos os seus equívocos perdoados. Porque não é que ele não quer. É que ele ainda não conseguiu dobrar o sistema.

Ainda que a verdade seja o exato contrário disso, a verdade não importa. Importante é manter o bolsonarista mobilizado. Porque o bolsonarista mobilizado vai seguir discutindo e enchendo o saco de todo mundo porque o de já se viu dois homens se beijando no gibi? Enquanto isso, a maior parcela dos brasileiros vai se tornando cada dia mais miserável. E nem pode reclamar disso: sempre vai ter um bolsonarista dizendo algum absurdo estilo “é culpa do PT”. Ainda que o PT esteja fora do poder há mais de cinco anos.

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