Todo Apoio a Jair Bolsonaro é Doloso

Eduardo Leite disse que “não tinha como saber que seria isso” quando Bolsonaro foi eleito, para justificar o voto mal dado de 2018. Em 2022, esse não será mais um fator.

Na Ciência Política, o fator “novidade” é sempre um diferencial quando os eleitores estão insatisfeitos e sedentos por mudanças, como estavam em 2018. Esse fator fez com que muita gente votasse em Jair Bolsonaro contra o PT. A base de Bolsonaro se expandiu de forma imensa porque ele se vendeu como a novidade em um sistema corrompido, mesmo sendo deputado por 28 anos.

Depois que Bolsonaro assumiu o poder, qualquer justificativa como a do Eduardo Leite, de que “não sabia que Bolsonaro seria isso aí”, foi pro espaço. Porque Bolsonaro se mostrou aquilo que todo mundo com mais de dois neurônios e um tiquinho de boa fé já sabia que ele era: um inepto, mal intencionado, que entrou no poder para destruir toda a estrutura social construída desde a Constituição de 1988 sem colocar nada no lugar.

Com a pandemia, isso ficou 600 mil vezes mais óbvio. Bolsonaro foi responsável direto por centenas de milhares de mortes na pandemia (inclusive estou fazendo uma série de vídeos sobre isso no canal do YouTube – e está imperdível). Ele foi indiciado por nove crimes no relatório final da CPI, e sabemos por causa da CPI que ele cometeu crimes atrozes, que vão muito além do simples negacionismo. A CPI mostra que Bolsonaro agiu ativamente para matar brasileiros.

Esse conjunto de evidências mostra que, hoje, todo apoio ao Presidente Jair Bolsonaro é doloso. Qualquer apoio a ele nas eleições de 2022, mesmo no segundo turno, significará cumplicidade com os inúmeros crimes cometidos por Jair Bolsonaro. E significará mais do que isso: a cumplicidade com um projeto autoritário que quer continuar matando brasileiros a esmo.

Isso vai ser um fator decisivo no processo eleitoral de 2022. Porque Bolsonaro já não tem mais o fator novidade ao seu lado, ninguém mais vai poder falar “eu não sabia que seria assim”. Bolsonaro ganhou 57,8 milhões de votos em 2018. É improvável que ele repita essa quantidade de votos. Mas, mesmo se ele repetir, é possível vencer o bolsonarismo. O Brasil teve, em 2018, 11 milhões de votos brancos/nulos no segundo turno, e também 31,3 milhões de pessoas que não foram votar. Ainda que os cadastros do TSE estejam desatualizados (minha avó, por exemplo, falecida em 2014, ainda estava no cadastro do TSE em 2018), temos aí uma margem de mudança muito grande, e ele passa necessariamente pelo convencimento das pessoas de que votar contra Bolsonaro é essencial. Porque, no momento, todo apoio ao Bolsonaro é doloso. E ignorar que Bolsonaro é o maior problema do país também é.

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