Bolsonaro Tenta Ser Trump, Mas Não Tem Competência Nem Para Isso

Bolsonaro recuou. Em uma nota patética, escrita por Michel Temer, reafirmou que não quer desobedecer ninguém e falou no “calor do momento”. Que a república tem suas regras e ele não quis quebrar nenhuma delas. A típica desculpa de um covarde. Parece quando alguém dá uma declaração que pega mal nas redes sociais e se desculpa dizendo “desculpas a quem se sentiu ofendido”. O problema é que Bolsonaro, para todos os efeitos, ainda é o Presidente da República.

Para piorar, Temer ainda intermediou uma conversa por telefone entre Bolsonaro e Alexandre de Moraes. É absolutamente inacreditável a boa vontade das instituições com Bolsonaro. Ele é um moleque que não é repreendido quando faz alguma besteira, mas é tratado com carinho por algum intermediador que sempre viabiliza a continuidade de seu governo nefasto. Arthur Lira, Michel Temer e o próprio Luiz Fux já fizeram esse papel em algum momento.

Isso ocorre porque grupos importantes se beneficiam as políticas de Bolsonaro. Da ausência delas, aliás. Bolsonaro é um governo de destruição, e isso deve ser colocado em qualquer análise. Ele só quer saber de se safar. E isso ficou claro nos últimos dois dias.

Na tarde de terça, Bolsonaro fez o infame discurso na Avenida Paulista conclamando seus partidários à desobediência. Tripudiando o STF e as instituições do país em geral. Seus comandados obedeceram. Na quarta feira, caminhões permaneceram parados na Esplanada dos Ministérios, enquanto caminhoneiros bolsonaristas bloquearam estradas por todo o país. No final do dia, uma das sequências mais patéticas da história da República aconteceu: Bolsonaro mandou um áudio pedindo para os caminhoneiros se desmobilizarem. Os caminhoneiros não acreditaram que o áudio fosse autêntico, enquanto um dos chefes da mobilização, conhecido como “Zé Trovão”, mandava vídeos desesperados com a perspectiva do abandono presidencial. A situação se tornou tão patética que o Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, teve que mandar um vídeo confirmando o áudio de Bolsonaro. Ainda assim, os caminhoneiros não acreditaram. Alguns comemoravam ao receber um boato totalmente sem pé nem cabeça indicando que Bolsonaro teria declarado estado de sítio. Enquanto isso, policiais chegaram para tentar tirar os caminhões da Esplanada dos Ministérios e não conseguiram. Os caminhoneiros se ajoelharam no chão e rezaram.

Hoje, a polícia descobriu que o famigerado Zé Trovão estava em um hotel no México, e está tomando as providências para captura e extradição. A Bovespa derretia com a perspectiva de uma crise institucional sem solução. Daí, Bolsonaro pediu penico e chamou Michel Temer para escrever mais uma de suas famigeradas cartinhas. A única coisa plausível de dizer sobre tudo isso e que Temer vai se consolidando praticamente como uma Dora de Central do Brasil no tema da confecção das cartinhas políticas infames.

No meio desse caos, uma coisa tem que ficar clara: Bolsonaro é um grande imitador de Trump. Donald Trump sempre usou o caos como estratégia política. Ele sempre promoveu o caos para criar impasses e corroer instituições. Quando o impasse estava dado, recuava, mas o desgaste já estava dado. Foi uma estratégia de confronto que deu relativamente certo, mas não fez com que Trump conseguisse a reeleição. Qual foi a resposta do trumpismo? Criar o caos novamente, no infame 06 de janeiro do Capitólio, que deixou cinco mortos. Para isso, não havia mais retorno. E Trump foi defenestrado da vida política norte-americana, ao menos até o momento.

Bolsonaro ficou a milímetros de ter o seu próprio caos do Capitólio. A questão é que Bolsonaro adora exatamente a mesma estratégia de Trump, com avanços sobre as instituições seguidos de recuos estratégicos. Dessa vez, Bolsonaro avançou demais. E, ao avançar demais, foi obrigado a recuar demais. Pior que isso: Bolsonaro não consegue nem imitar direito a estratégia de Trump. O próprio avanço de Bolsonaro sobre as instituições é caótico, e ele mostrou não ter controle nenhum sobre sua horda de apoiadores radicalizados. A falta de controle fez com que Bolsonaro capitulasse por meio de uma comunicação ridícula, que não tem nenhum nexo. Bolsonaro trata a República sob a ótica de seus conflitos pessoais.

Alexandre de Moraes não é um nome. Não pode nem deve ser tratado como uma pessoa física. Tem que ser visto a partir de sua função institucional de Ministro do STF. Quando Bolsonaro torna as críticas nominais, como no caso dos Ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, Bolsonaro pretende insuflar na população ódio pessoal contra ambos. Porque esta interessado em se apoderar a função institucional que ambos exercem.

O problema é que notas de recuo não aplainam as arestas e não amenizam o ódio insuflado. Bolsonaro pode ter ganhado mais uma carta de crédito do “mercado”, que sempre foi muito benevolente com ele. Mas não consegue mais controlar seus apoiadores radicalizados. Porque eles foram feitos de trouxas. Nisso, Bolsonaro tentou imitar Trump, mas não teve competência nem para isso. Trump consegue, de alguma forma, manter seu público radicalizado até hoje, sob promessas de que “vai desmascarar Biden” ou “vai voltar ao seu cargo”. Bolsonaro não consegue nada disso. É uma figura humana desprezível ocupando o maior cargo do país, sem capacidade de produzir nada de bom para o povo.

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