Por um Sistema Civil de Defesa Nacional

O Tanque Fumacinha da Marinha

A presepada do Bolsonaro promovendo desfile de tanque em Brasília no dia da votação do voto impresso na Câmara (voto impresso que já foi derrotado em comissão, diga-se) mostra algo bem salutar, para não dizer óbvio: é bem mais fácil acabar com as forças militares desse país do que parece.

O desfile de blindados esfumaçados mostra para todos que a) As forças armadas gastam muito mal o enorme investimento que recebem (ano passado foram R$ 79 bilhões) e que b) As forças armadas só servem para sustentar supersalários de uma elite de oficiais e de seus familiares às custas do restante do país.

A verdade é uma só: na atual configuração, os militares são só um fardo desnecessário ao país. Todas as funções hoje feitas pelos militares podem ser feitas por serviços civis de defesa nacional, sob coordenação do governo. As tecnologias de defesa podem facilmente ser desenvolvidas por institutos de pesquisa e por empresas civis, como já acontece, por exemplo, com os sistemas de satélites.

Além disso, a Polícia Federal, de caráter civil, faz um trabalho de defesa das fronteiras mais efetivo que o das forças militares. Nas regiões fronteiriças em que o Exército está (Benjamin Constant x Letícia, por exemplo), o trabalho poderia tranquilamente ser feito por forças federais civis, em caráter transitório.

O fato é que o militarismo é uma ideologia. E é a ideologia que sustenta a coerção dos estados capitalistas. É uma ideologia que atenta diariamente contra a democracia, por sua própria natureza hierárquica, rígida, com forte tendência de insulamento burocrático e de servir mais a uma elite fardada do que ao país.

As Forças Armadas vão acabar no Brasil? Provavelmente não, muita gente está pendurada nessa mamata. Mas essa ideia precisa ser difundida todos os dias. Porque militarismo no século XXI tem ares anacrônicos e só serve para destruir os sonhos de um país melhor em nome da proteção a uma elite parasita. Que possamos pensar em forças civis de defesa nacional a partir de agora. Que os militares, seus salários de marajá e suas pensões de três gerações fiquem nos livros de História.

3 comentários sobre “Por um Sistema Civil de Defesa Nacional

  1. Militares tem muitos espaços públicos cedidos. Fazendas e terras em diversos municípios. Estava me perguntando: se um dia as forças militares encerrarem, o que acontece com elas?

    Barueri tem uma grande área militar ao sul da cidade, beirando a linha férrea. Osasco tinha uma área militar grande, mas aparentemente foi bem reduzida – uma parte virou condomínio e nova avenida, onde é ao sul do pátio ferroviário.

    Outro ponto são as residências militares – onde residem sargentos e tenentes. Como ficaria? Tipo, o governo ressarciria tais para irem morar em uma residência própria? (Isso se, claro, fosse antes investigado as condições financeiras reais do militar e seus familiares diretos e indiretos, para assim identificar “laranjas” e condições de moradia fora das residências militares.

    São perguntas que me faço toda vez que fala sobre o fim do militarismo, o que concordo plenamente. va

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