Facetas de uma Guerra

Infelizmente temos que admitir uma coisa: o que Bolsonaro está fazendo não é casual. Não é fruto de mera incompetência ou inépcia para o exercício do cargo.

Bolsonaro é assessorado pelos filhos e por Olavo de Carvalho. Podemos defini-los como malucos, ou podemos analisar as ações dos filhos de Bolsonaro e dos ministros alinhados com Olavo de Carvalho sob um viés racional. Quem são esses ministros? Especialmente Abraham Weintraub, Ernesto Araújo e Ricardo Salles.

Ao analisarmos racionalmente a atuação desses ministros, entendemos que eles estão em uma coisa que Olavo de Carvalho chama de “Guerra Cultural”. E essa guerra tem três alvos muito específicos: a academia, no caso de Weintraub, o multilateralismo internacional, no caso de Ernesto Araújo, e o discurso ambientalista, no caso de Ricardo Salles.

Qual é a estratégia que Olavo alardeia e os três cumprem à risca? A do caos como instrumento de inviabilização. Eles não tem nenhum pudor em destruir séculos de política externa, nem décadas de pesquisas científicas e políticas públicas para o meio ambiente. Afinal, eles se consideram numa guerra. E em uma guerra sem regras. Eles realmente acham que um futuro “conservador” para a humanidade implica em destruir a ciência, o multilateralismo e a defesa do meio ambiente. Para eles, isso tudo é parte de uma conspiração globalista que pretende implantar o comunismo em todo o planeta Terra e se possível em mais três corpos celestes do Sistema Solar à escolha.

No caso da academia, há mais um agravante: o lobby das instituições privadas de ensino, que perderam muito dinheiro nos últimos 4 anos com a crise econômica. Agora, elas querem capitalizar em cima do caos. E há interesses pessoais envolvidos: a irmã do Ministro da Economia Paulo Guedes é diretora da associação de universidades privadas. Eles estão de olho no dinheiro das universidades públicas para continuarem oferecendo seus consórcios de diplomas cada vez mais fracos. É por isso, inclusive, que parte da estratégia está no enfraquecimento de instrumentos de avaliação como o ENADE.

Tudo isso soa absolutamente irracional, e é. Mas lembrem-se: é uma guerra. Eles tratam quem defende a ciência, o multilateralismo e o meio ambiente como inimigos. Se fosse possível, eles executariam todos os acadêmicos, diplomatas e ambientalistas não alinhados em praça pública. Como isso ainda não é socialmente aceito, eles usam a máquina pública pra sufocar esses grupos, tentando eliminá-los por inanição.

Qualquer reação tem que levar um conta de que os olavistas do governo Bolsonaro se consideram em guerra. E, nessa guerra, não poupam nem os aliados de ocasião. Os militares que o digam. Estando em guerra, é preciso responder à altura, com todos os meios possíveis.

A briga não é entre esquerda e direita. Esse é o discurso dos fãs do boquirroto de Richmond. A briga é entre os partidários desse governo e qualquer um que ainda tenha esperança de viver em um país melhor. Porque esses caras não vão hesitar nem um segundo em fazer milhões morrerem de fome se isso for ajudar no objetivo apocalíptico deles.

É por isso que esses caras precisam ser denunciados todo dia. Combatidos todo dia. Porque cada dia a menos que esses caras passarem no governo vai representar algumas vidas salvas.

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