A Solução Definitiva Para os Debates Eleitorais

Hoje, a Vera Magalhães publicou no Estadão que as TVs estão pensando em cancelar os debates eleitorais, caso o número de candidatos não diminua. Como sou um amante da boa política e quero ver os candidatos discutindo propostas construtivas para o país, pensei: poxa, esse problema precisa ser resolvido. E, depois de muito matutar (mentira, foram só quinze minutos), finalmente achei a solução definitiva para esse problema. Que só tem vantagens, vai aumentar o interesse do brasileiro por política e ainda vai ajudar a financiar os partidos políticos.

Candidatos Presidenciais em debate na Rede Globo, em 2014. Tudo parecia tão mais calmo (Fonte: G1)

Hoje, temos 19 candidatos à presidência. Não dá pra negar que 18 candidatos são realmente difíceis de encaixar em um debate. Que isso produz debates chatos e modorrentos, que ninguém gosta, e que aumentam a percepção de que política é uma coisa chata. Tudo é muito preocupante.

Sabendo disso, eu sugiro um novo método pra resolver essa questão: Séries A e B de debates eleitorais, com 6 debatedores cada, e uma Série B com o restante dos candidatos. Essa classificação será definida inicialmente com base no tamanho das bancadas no Congresso, para não depender tanto de pesquisas como critério, todo mundo desconfia de pesquisas. Em todo caso, as usamos como critério de desempate, quando os partidos tiverem o mesmo número de deputados.

Para isso, eu sugiro a organização da LIPAPO (Liga dos Partidos Políticos), que seria responsável por organizar os debates eleitorais e por vender os direitos de transmissão para a TV, repassando a verba restante entre todos os partidos políticos. Além de tudo, essa solução ajudaria a resolver de forma maravilhosa um dos maiores problemas do processo eleitoral: o financiamento de campanhas. Se um partido recebe uma quantia razoável da TV para participar dos debates, invariavelmente vai consumir menos dinheiro público do fundo partidário.

O repasse das verbas, após o desconto dos custos operacionais, seria feito da seguinte forma:

  • 50% da verba distribuída de forma equânime entre os partidos que lançarem candidato presidencial e se comprometerem com a participação no ciclo de debates
  • 30% da verba de cada debate dividido de acordo com a série em que o candidato está, no seguinte formato:
    – 15% para os candidatos da Série A
    – 10% para os candidatos da Série B
    – 5% para os candidatos da Série C
  • 20% de premiação em cada debate, dividido de acordo com o seguinte critério:
    – 10% para o vencedor do debate Série A
    – 5% para o vencedor do debate Série B
    – 5% para o vencedor do debate Série C

Nesse formato, teremos no mínimo três ciclos de debate (se a LIPAPO quiser MASTERCHEFIZAR a coisa, pode fazer até 4 ou 5 ciclos, dentro dos 45 dias de campanha eleitoral). Esses debates terão Serie C, Série B e depois Série A, todos transmitidos pela TV (ou pelas TVs, a preferência é que não haja contrato de exclusividade). Imagina só que maravilha pros adictos em política. Começa às seis da tarde e termina meia noite e meia. Os dois melhores debatedores dos debates Séries B e Série C são promovidos. Os dois piores debatedores dos debates das Séries A e B são rebaixados no debate seguinte.

O terceiro ciclo de debates será dividido em dois dias: o primeiro deles com os debates finais das Séries C e B, e o segundo com o SUPER DEBATE: o debate entre os seis candidatos da Série A, com quatro horas de duração, feito diretamente do Estádio Mané Garrincha, com um Show da Anitta no intervalo.

É um modelo justo e rentável, afinal dá pro candidato que começou na Série C chegar no último debate entre os candidatos mais importantes. Basta debater bem.

Como vai ser isso? Um conselho de 100 jurados, sendo 5 personalidades internacionais (num primeiro momento pensei em Bill Gates, George Soros, Oprah Winfrey, Federica Mogherini e Ada Colau), 18 indicações de partidos, 68 especialistas temáticos e 9 analistas políticos pinçados nas redes sociais.

A apuração vai ser no modelo do Carnaval, tendo vinte quesitos com cinco notas cada, que variarão desde os formais, como didática, coerência interna, precisão nos dados e autocontrole, até os temáticos, como saúde, educação, segurança pública, política econômica e combate à pobreza. No dia seguinte ao debate as emissoras transmitirão a apuração ao vivo (diretamente do Estádio Mané Garrincha, para que as torcidas possam vaiar à vontade a cada OITO PONTO SETE). Para evitar notas muito discrepantes, a maior e a menor nota serão descartadas.

Outro lado bom é que não vai dar pra ninguém ficar na defensiva nos debates, e ainda há a manutenção de uma Série C forte, especialmente nos primeiros debates. Já pensaram no desespero da Marina Silva tentando subir para a Série B enquanto sofre ataques do Eymael?

Hoje, temos os seguintes pré-candidatos:

Série A:

Lula (ou quem vier pelo PT)
Henrique Meirelles
Geraldo Alckmin
Rodrigo Maia
Guilherme Afif Domigos
Ciro Gomes

Série B:

Flávio Rocha
Álvaro Dias
Manuela D’Ávila
Aldo Rebelo
Jair Bolsonaro
Paulo Rabello de Castro

Série C*:

Guilherme Boulos
Marina Silva
João Vicente Goulart
Vera Lúcia 
Eymael
Levy Fidelix
João Amoedo

Com esse elenco e esse formato, certamente seria a maior audiência da história da televisão em debates políticos. É incrível que ninguém tenha pensado nesse modelo ainda.

Imaginem as manchetes “após rebaixamento de Alckmin em debate, dólar avança e fecha em R$ 4,50”. As mesas redondas com analistas políticos discutindo os diferentes aspectos do debate com falas estilo “O Flávio Rocha e o Álvaro Dias tentaram tabelar pela direita, mas ainda está faltando entrosamento”.

Pensem na quantidade de jornais vendidos e no quanto esse modelo tornará popular a discussão política pela Internet. Analistas discutindo em TV aberta em quais parâmetros afinal é possível replicar a experiência finlandesa na educação aqui no Brasil.

É absolutamente incrível que ninguém tenha pensado em um formato desses para o processo eleitoral ainda. Ajuda até mesmo a explicar o distanciamento que as pessoas tem atualmente da política. Não existem esses mecanismos de aproximação e de criação de familiaridades.

*Não há nenhum impedimento em ter uma Série C com mais de seis candidatos, uma vez que não há rebaixamento por lá (eu não tinha incluído o Amoedo porque tinha esquecido mesmo)

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