Glossário honesto sobre a eleição para que você não ache que direita é centro

A seguir, como o mercado quer que você enxergue a eleição presidencial:

Bolsonaro: Direita
Todos aqueles que defendem a manutenção e o aprofundamento do projeto aplicado por Temer e por sua base: Centro
Todo mundo que é contra esse projeto: Esquerda

Nesse sentido, quanto mais Bolsonaro for pro extremo, melhor, porque a contraposição entre Bolsonaro e a esquerda vai alimentar a retórica “extrema direita x extrema esquerda”, vendendo o discurso “de centro” como imposição lógica.

Mas todo mundo sabe que essas políticas “de centro” aí são só as políticas neoliberais de sempre, de direita, fazendo a mesma coisa que já faziam desde os anos 90: tentar vender o neoliberalismo como o “normal”, o “padrão”, o “inevitável”, ainda que prejudicial à população.

Como combater isso? Reiterando ênfase na contraposição ao Temer, ao Alckmin, ao Álvaro Dias, ao Meirelles e aos demais candidatos do “Projeto Temer”, associando-os ao mesmo projeto do Bolsonaro (e o componente único do Bolsonaro é a afirmação explícita de seu projeto pela força)

O mercado não é “tecnico”, “isento” ou “de centro”. Como representante de uma minoria privilegiada que tem participação em empresas, o mercado representa a mentalidade da elite empresarial e financeira.

E se tem alguém que realmente acredita em luta de classes é essa elite aí.

A grande tática da elite pra permanecer indefinidamente no poder é essa: agir como se estivesse em uma luta de classes, lutando pela manutenção dos próprios privilégios, enquanto lutam também pra desacreditar a luta de classes, desmobilizado trabalhadores e pequenos empresários.

Então nem acredite que esse projeto neoliberal do Temer que quer ser eternizado em Alckmin e afins é de centro. É um projeto de direita.

Bolsonaro, com seu apelo ao autoritarismo, é extrema direita, sem eufemismos.

As coisas devem ser nomeadas pelo que elas realmente são.

Projetos de centro, por sua vez, são aqueles projetos ambíguos que acenam tanto aos empresários quanto aos trabalhadores. Se o projeto se apresenta no lugar de fala dos trabalhadores, é centro esquerda (Lula se vendeu assim). Se fala com o viés patronal, é centro direita.

Projetos que priorizam os trabalhadores em relação aos patrões de maneira não ambígua são de esquerda. E projetos que vendem a supressão do patronato pela força são de extrema esquerda.

Partindo desses pressupostos, vemos que boa parte dos candidatos se agrupam entre a centro-direita e a centro-esquerda. Boulos é de esquerda. Vera Lúcia é de extrema esquerda. Bolsonaro é de extrema direita. Amoedo e Flávio Rocha são claramente de direita.

Centro-direita basicamente é o candidato pró mercado que acena com algumas causas sociais e impõe alguma regulamentação à relação entre empresários e trabalhadores, em um resumo bem simples. Alckmin, Meirelles e Álvaro Dias se vendem como centro-direita, mas não geram a ambiguidade necessária pra se enquadrarem nessa definição, transitando entre centro-direita e direita.

Marina Silva, por sua vez, consegue gerar essa ambiguidade melhor, trazendo consigo ainda alguns elementos de centro esquerda.

Ciro Gomes nesse sentido é meio que o contrário da Marina: o candidato de centro esquerda com alguns elementos de centro direita. A Manu é a candidata de centro esquerda por excelência (e se o PT lançar alguém estará exatamente nesse ponto do espectro político)

Enfim, dentre os candidatos relevantes a análise é essa. E é por isso que jogar todo mundo que apóia o projeto neoliberal do Temer no balaio do centro é bastante desonesto.

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