Qual é o seu problema?


Primeiro, foram as perseguições na Internet de gente que pensava diferente ou votava no outro partido. Depois, foi a torcida de nariz para os textões de Facebook, como se qualquer coisa com mais de cinco linhas fizesse os olhos arder. Agora, eles chegam mais perto do cerne: tentam ridicularizar toda e qualquer pessoa que tenha uma questão pessoal e que coloque essa questão em algum post no Facebook ou em qualquer outra rede social. É a problematização da problematização.

Reparem que tudo isso faz parte exatamente do mesmo processo e conta sempre com o mesmo modus operandi. É a ridicularização como arma de intimidação, feita, em geral, por perfis populares nas redes sociais. Em muitos casos, os mesmos que são capazes de fazer coisas legais, como mobilizar um monte de gente pra votar no Wendell Lira no Prêmio Puskas.

Qual é o problema dessas pessoas? Por que elas se empenham tanto em ridicularizar qualquer opinião que as incomoda?

A Internet é uma máquina de moer carne humana. As demandas são individuais, as opiniões são individuais, a empatia é desincentivada. A ausência de contato físico inibe qualquer possibilidade de empatia e qualquer demonstração de fraqueza é tratada como… fraqueza, como coisa de quem “não aguenta a zoeira”.

É meio chato falar isso, mas essa fase de “desbravamento” da Internet já passou, bem como a ilusão de que a Internet é um ambiente livre e tudo o que é feito nesse ambiente está à margem da lei. As pessoas já deveriam ter aprendido isso com os inúmeros casos de pessoas que tiveram suas vidas destruídas por crimes como o vazamento de vídeos íntimos. Algumas dessas pessoas chegaram a cometer suicídio, outras lidam com quadros graves de depressão até hoje. É preciso ter limite sim.

E ter limite significa respeitar o coleguinha. Existem alguns erros de concepção nas redes sociais, e um dos principais deles é a avaliação das opiniões de acordo com a popularidade de quem as dá. Especialmente em ambientes em que essa popularidade pode ser comprada. Isso fez surgir excrescências estilo Bolsonaro e Revoltados Online, por exemplo, como formadores de opinião para milhões de pessoas. É a capitalização da opinião, sem filtros.

O sistema que se montou já é perverso por si só. Quando as pessoas começam a perseguir as outras gratuitamente, por opiniões políticas, por fazer textão ou por “problematizar”, só agravam esse tipo de problema. Só tornam as relações mais opressivas e doentias.

E só um adendo aí: é normal que a maioria das pessoas passe boa parte do dia nas redes sociais pra dar risada, pra se divertir, pra tentar ser legal e passar uma imagem de legal pros outros. Não tem nada muito errado nisso. Só vamos tentar fazer isso sem passar por cima de ninguém, sem bancar o babaca que tenta impedir os outros de opinarem.

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